15 abril 2016

O lavrado e o cordel

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Discente da Pós-graduação em Botânica e também professor da UERR alegra nosso dia com belo cordel sobre o lavrado roraimense


Rodrigo Leonardo Costa de Oliveira

Trecho extraído do cordel "O lavrado e o cordel" com autorização do autor

"Peço aos caros leitores
Licença para contar
E clamo ao Makunaima
Por favor me inspirar
Os versos desse Cordel
Que trago neste papel
Que agora vou rimar

A Amazônia é
Um centro de vida bela
E que traz na paisagem
Cada cor da aquarela
Tem fauna exuberante
Mais a flora vislumbrante
Todos numa só parcela

E bem no extremo norte
D'Amazônia brasileira
Ao nordeste de Roraima
Numa terra de palmeiras
No começo do Brasil
Descansa entre os rios
A vegetação rasteira

Para o mundo és Savana
Ao Brasil és um Cerrado
Ao índio és a morada
E o suor do pesado
Aqui és ecossistema
Que na arte vira tema
E te chamamos Lavrado

(...)"

Assim se inicia o belo cordel de autoria de Rodrigo Leonardo Costa de Oliveira sobre o lavrado de Roraima, intitulado 'O lavrado e o cordel'. Os que desejarem terminar a leitura deste cordel e das outras obras de cordel do autor, visitem este link. Boa leitura!

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11 abril 2016

Ilustração botânica: Olivia Beatriz

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Contato de ilustradora especializada em desenhos técnicos e ilustrativos na área botânica. Formada no Jardim Botânico do Rio de Janeiro, Olivia faz desenhos em grafite, nanquim e aquarela de plantas e fungos.



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  • Olivia Beatriz: oliviafloresta@gmail.com | olivia.aguiar@inpa.gov.br
  • Celular: (92) 98137-5175

31 março 2016

DuckeWiki em construção

4 comentários:
Novo sistema de informação dedicado à gestão de dados sobre a diversidade de plantas e fungos na Amazônia irá facilitar a geração e popularização de conhecimento biológico na região. O DuckeWiki está sendo construído em software livre e terá bastante flexibilidade para ser adaptado a diferentes necessidades.

Alberto Vicentini coletando informações sobre plantas usando um formulário ODK em um celular android.

O desafio de se investigar a diversidade de plantas e fungos na Amazônia é imenso. Além de abrigar muitas espécies, a escassa quantidade de recursos humanos dedicados a estudar esses organismos fica ainda mais rarefeita quando se considera a extensão geográfica continental da Amazônia, resultando em uma baixa densidade de amostras e contribuindo para a instabilidade na delimitação das espécies e no avanço sobre a compreensão de sua biodiversidade. Porém, acredita-se que mudanças estruturais em alguns procedimentos cotidianos da prática botânica e micológica podem promover melhorias significativas no processo de produção de conhecimento.

Dr. Adolpho Ducke e subidor preparando espécimes botânicos em Utinga, próximo a Belém em 1943.
[fonte: Taxon 11:234]

Criado por iniciativa do Dr. Alberto Vicentini do INPA, o DuckeWiki é uma plataforma virtual planejada para modernizar a geração de conhecimento sobre a flora e a micota da Amazônia, permitindo armazenar, compartilhar, analisar e disponibilizar informações sobre plantas e fungos com o objetivo de acelerar e popularizar a produção desse conhecimento. O nome DuckeWiki foi composto em homenagem ao Dr. Adolpho Ducke, um dos maiores botânicos da Amazônia, e ao dokuwiki (www.dokuwiki.org), uma plataforma wiki inspiradora.

Formulário de entrada de dados de uma amostra coletada, incluindo informações básicas e links para outros formulários (notas, habitat e taxonomia).

"A maneira como ainda fazemos ciência, sem integração de dados em um ou mais sistemas de informação, reduz a capacidade de gerar conhecimento principalmente por sobrepor esforços e induzir a necessidade de se retrabalhar as amostras a cada novo estudo", sustenta Vicentini. O processo de investigação e compreensão sobre a biodiversidade se inicia com a coleta de amostras e dados sobre os organismos que servem como base para a circunscrição e nomeação de espécies. Em seguida, a demanda é pela identificação de amostras, sejam amostras férteis ou estéreis. Entretanto, existe uma grande assimetria entre o volume de amostras que geram conhecimento e o volume de amostras para ser identificado, este último muito maior. Segundo o pesquisador, a existência de boas ferramentas para identificar espécies e integrar variação ao nível das amostras contribuirá para reduzir essa assimetria.

Interface da versão antiga mostrando a aba de especímenes que resume as informações inseridas no sistema.

Reunidos para avaliar o funcionamento do sistema, o pesquisador e alunos de pós-doc, doutorado e mestrado da pós-graduação em Botânica discutiram a estrutura e o funcionamento da versão 1.0 beta que vem sendo construída por ele ao longo dos últimos anos. O sistema permite a inclusão de dados de coletas, de monitoramento, dados secundários derivados da literatura, dados de localidades onde as amostras foram coletadas e dados relacionados a nomes científicos com distinção entre nomes publicados e nomes não publicados, oferecendo grande flexibilidade para criar variáveis. A interface permite a visualização de dados de forma resumida, incluindo opções de busca, filtragem, importação e exportação de dados. Por fim, a preservação dos dados é feita na nuvem, o que facilita o desenvolvimento de trabalhos em rede e contribui para a modernização da taxonomia.

A ideia é que o DuckeWiki seja modular, podendo ser adaptado segundo a demanda dos usuários. Módulos iniciais para a inclusão de dados moleculares, espectrais, bibliográficos e visuais já estão em funcionamento e uma série de funções estão em desenvolvimento, como a criação de guias interativos, chaves de identificação de múltiplo acesso e a integração com formulários para coleta de dados em celulares e tablets com sistema operacional android. O DuckeWiki está sendo aprimorado pelo programador Rodrigo Dias e a nova versão deverá ser lançada no segundo semestre de 2016.


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03 dezembro 2015

Coleta de fungos na Aldeia Mari-Mari

Um comentário:
A saída de campo teve como objetivo coletar raízes finas de árvores e cogumelos ectomicorrízicos que ocorrem na campinarana do longo do igarapé do Mutum que cruza a Aldeia Mari-Mari em Presidente Figueiredo.

Coleta de raízes de uma espécie de Gnetum.

Localizada a cerca de 2 horas de carro de Manaus, Presidente Figueiredo abriga muitas áreas com florestas de campinarana com acesso fácil a partir dos ramais que saem da estrada de Balbina. Essa saída de campo foi realizada na Aldeia Mari-Mari, uma pousada que está incentivando a realização de pesquisas na região, oferecendo suporte para hospedagem de forma provisória até que seja construído um alojamento exclusivo para os pesquisadores interessados.

Visão da área do alojamento provisório com igarapé do Mutum ao fundo.

As florestas de campinarana são em geral mais pobres que florestas de terra firme, mas possuem uma flora e micota bastante peculiares, ocorrendo quase que exclusivamente nesses ambientes. Existem algumas plantas bastante características, como espécies do gênero Pagamea (Rubiaceae), a casca doce (Pradosia schomburgkiana, Sapotaceae) e o macucu (Aldina heterophylla, Fabaceae), mas poucas pessoas sabem que muitos fungos interessantes também só ocorrem nesses ambientes. Em geral, esses fungos exercem uma função muito importante nas florestas sobre areia branca, atuando como ectomicorrizas em que ajudam as plantas a obterem nutrientes do solo (principalmente N, P e água) em troca de alimento (principalmente C fixado na fotossíntese). Abaixo, um exemplo de um cogumelo de uma espécie bastante interessante do gênero Russula.

Russula cf. pluvialis coletada em florestas de campinarana na Amazônia central.

Destaque para a raiz de Pradosia
schomburgkiana
coletada.
Além de coletar os cogumelos, que tem função de reprodução sexuada e dispersão de esporos nos fungos basidiomicetos, eu também estou coletando raízes das árvores para ver as associações com os fungos. Estou trabalhando em meu doutorado no INPA com a influência de fungos ectomicorrízicos e patogênicos sobre a estruturação de comunidades de árvores na Amazônia e uma das limitações práticas é conseguir acessar as raízes finas - que ficam nas partes mais extremas do sistema radicular - das plantas adultas. Existe bastante variação na arquitetura das raízes das plantas da Amazônia, mas ainda estamos somente começando a investigar essas diferenças. No momento estou focando em apenas algumas linhagens de árvores da região, como plantas da família Polygonaceae, Nyctaginaceae, Sapotaceae, Fabaceae e Gnetaceae, mas no futuro pretendo ampliar essa amostragem para entender qual a importância dos fungos para a comunidade de árvores como um todo. Uma das estratégias é coletar raízes de plântulas e indivíduos jovens dessas linhagens selecionadas, mas nem sempre é fácil identificar essas plantas em campo. Sendo assim, investi na escavação de raízes de indivíduos adultos de Pradosia schomburgkiana e acabei descobrindo que não foi muito difícil encontrar raízes ramificando a partir das sapopemas. Daí, bastou apenas seguir esses ramos até chegar nas raízes finas de primeira, segunda e terceira ordens. Na foto, eu estou segurando essa ramificação das raízes de P. schomburgkiana para mostrar a extensão total desse ramo até chegar na parte especializada em absorver nutrientes nas raízes (em oposição às partes especializadas em transportar a seiva). Entretanto, não é fácil separar as raízes quando estão misturadas num emaranhado de folhas em decomposição, galhos finos e areia. Dessa forma, o tempo necessário para triar as amostrar deve ser dimensionado para não correr o risco de coletar uma amostra de outra planta por engano.

Caroço descansando enquanto Saci cavava areia atrás de raízes de Gnetum

Mas a melhor notícia foi ter tido a ilustre companhia do Caroço vasculhando a campinarana comigo... Sempre que eu encontrava algo interessante, eu prendia o danado e cavava um pouquinho com ele até que achava macio o suficiente pra tirar uma soneca! Esse já está conhecendo mais mato que muito biólogo e nem tem ainda 4 meses de idade!


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25 novembro 2015

Curso sobre Sistemática de Lauraceae na Mata Atlântica

2 comentários:
Entre 3 e 8 de novembro, a bolsista Deisy Saraiva e os alunos de mestrado Rangel Carvalho e Laura Rivera viajaram até o Parque Estadual da Serra do Mar (Núcleo Cunha) em São Paulo para participar do curso “Tópicos Especiais em Biologia Vegetal: Sistemática de Lauraceae” ministrado pelo Dr. Henk van der Werff (do Missouri Botanical Garden, Saint Louis) e Dr. Pedro Luís Rodrigues de Moraes (Instituto de Biociências/UNESP Rio Claro‐SP).

Participantes do curso realizado na Mata Atlântica.

Lauraceae é uma das famílias mais diversas de Magnoliidae e uma das mais importantes na estrutura das florestas tropicais (Rohwer, 2000). Além disso, é uma importante família econômica devido a sua madeira de alta qualidade, a produção de temperos, de óleos aromáticos e frutos comestíveis (e.g. abacate, Persea americana Miller), além de usos na medicina tradicional. Ecologicamente está entre a mais diversas famílias das florestas úmidas, tendo ampla distribuição geográfica e elevada abundância, ocorrendo desde terras baixas até elevações médias nos Andes (van der Werff & Richter, 1996). Possui entre 2500 a 3000 espécies organizadas em 52 gêneros (Chanderbali et al., 2001); destes, 24 gêneros e 441 espécies ocorrem no Brasil (Quinet et al., 2015), sendo importantes componentes da composição funcional e estrutural da Mata Atlântica, do Cerrado e da Amazônia (Moraes, 2005). 

Flores de nova espécie de Ocotea.

Durante o trabalho de campo, se realizaram diversas coletas de outras famílias com o fim de aumentar a amostragem desta área. Dentre os indivíduos coletados de Lauraceae, encontramos as espécies Persea alba, P. obovata e Ocotea aciphylla, além de uma possível nova descoberta para a ciência do gênero Ocotea.

Participantes tomando o rumo da floresta para coletar amostras.

Foi uma ótima oportunidade para compartilhar experiências e receber conselhos dos especialistas dirigidos a nossos projetos de pesquisas, que atualmente estão relacionados com a história evolutiva e diversificação do complexo Licaria canella nas florestas da América do Sul, a delimitação das espécies do complexo Ocotea guianensis e a produção da Flora do Uatumã. O objetivo final é o de melhorar o desenvolvimento das pesquisas que estão sendo orientadas pelo Dr. Alberto Vicentini.


Literatura citada

  • Chanderbali, A.S.; van der Werff, H.; Renner, S.S. 2001. Phylogeny and Historical Biogeography of Lauraceae: Evidence from the Chloroplast and Nuclear Genomes. Annals of the Missouri Botanical Garden. 88: 104-134.
  • Moraes, P.L.R. 2005. Sinopse das Lauráceas nos Estados de Goiãs e Tocantins, Brasil. Bioneotropica. 5 (2):1-18
  • Quinet, A.; Baitello, J.B.; Moraes, P.L.R. de; Assis, L.C.S.; Alves, F.M. 2015. Lauraceae in Lista de Espécies da Flora do Brasil. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em: http://floradobrasil.jbrj.gov.br/jabot/floradobrasil/FB143
  • Rohwer, J.G. 2000. Toward a phylogenetic classification of the Lauraceae: Evidence from matK sequences. Systematic Botany 25(1): 60-71.
  • van der Werff, H. & Richter, H.G. 1996. Toward an improved classification of Lauraceae. Annals of the Missouri Botanical Garden 83(3): 409–418.

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